Para que fazer Terapia?
- Marina Z. Notari
- 14 de abr. de 2023
- 3 min de leitura
Quais podem ser os objetivos de se fazer terapia? Quais são os benefícios do processo terapêutico?
Pode ser que você esteja pensando em fazer psicoterapia ou por conta própria ou porque ouviu essa recomendação de alguém, seja um amigo, familiar ou outro profissional da área da saúde. No entanto, para se sentir mais seguro com esse movimento de iniciar um processo terapêutico, é natural querer saber mais sobre ele, em que casos é indicado e de que forma ele pode te ajudar em seu momento de vida. Este texto busca esclarecer esses pontos.

Conhecer-se melhor
A terapia pode ser um espaço para trabalharmos o nosso autoconhecimento, pois é uma das muitas ferramentas que tem isso como objetivo — saber mais sobre quem se é, sobre nossas características, tendências, potencialidades, dificuldades e recursos.
Quanto mais nos conhecemos, maior a nossa sabedoria para lidar com o que somos, com a forma que nos colocamos no mundo, com os objetivos que traçamos e com o que de fato almejamos.
Ter ajuda profissional em um momento desafiador
Mudanças de trabalho ou moradia, términos de relacionamentos, lutos pela perda de alguém amado, processos de doença, sintomas de ansiedade e depressão: esses são exemplos de situações que podem nos desafiar na vida. A terapia pode, então, também mostrar-se necessária para atravessar esses momentos difíceis e desafiadores que passamos, revelando-se um ótimo lugar de acolhimento e trazendo bons direcionamentos para essas fases.
Cuidar das feridas internas
Às vezes a gente não tem muita vontade de olhar para as questões que nos angustiam, não é mesmo? Quem em livre e espontânea vontade vai para um lugar para falar sobre coisas que machucam? — pode pensar quem nunca fez terapia.
A questão é que a terapia não é um lugar para cutucar uma ferida por cutucar — algo que tava quietinho ali e a gente vai e arranca a casquinha e a dor volta quase toda de novo. A terapia não é isso, é sim um cuidado profundo das nossas feridas internas — tristezas, ressentimentos, raivas, medos que carregamos... São feridas que não estão de fato cicatrizadas e que vira e mexe voltam a doer e incomodar, justamente por não estarem bem cuidadas! Daí a gente tem que cutucar mesmo, mas cutucar para desinfetar melhor a ferida, para tirar eventuais corpos estranhos, para passar a pomada certa e, daí sim, em condições favoráveis, dar condições para a ferida cicatrizar.
Quebrar padrões prejudiciais
Outra forma de pensar na importância da terapia é refletir sobre os nossos padrões prejudiciais que se repetem, repetem, repetem e ficamos sem entender por que aquilo acontece. Aquela coisa: "nossa, sempre caio em relações onde me sinto abandonada, será que estou destinada a isso?" e o ponto disso é: será que essa pessoa não aprendeu a olhar o mundo sempre sob a lente do abandono? Será que de repente aconteceu uma situação chave com ela na infância e “marcou” essa sensação de abandono de forma que ela vira e mexe aparece? Se assim for, não seria legal dar uma olhada mais a fundo para essa sensação de abandono e quais marcas realmente estão ali por trás dela?
É desta forma que a terapia vai trabalhando, buscando entender a dinâmica do funcionamento de uma questão que carregamos e, com essa compreensão, nos dar mais maestria pra lidar com nossos assuntos de uma maneira mais benéfica pra gente, em primeiro lugar e, pensando em relações saudáveis, de uma maneira mais benéfica também para nossas trocas com o outro e com o mundo.
Para que não fazer terapia?
Dentro disso tudo que foi exposto, penso que a pergunta ficaria oposta: para que NÃO fazer terapia?
Dá para entender o quão importante, saudável e amoroso com nós mesmos é nos propiciarmos uma experiência onde nossas questões internas possam ser melhor organizadas e cuidadas?
Assim, o aspecto trabalhoso de fazer terapia, a coragem que inclui sentarmos para acessar nossas questões internas, é recompensado no que traz de aumento de bem-estar, qualidade de vida, escolhas melhor pensadas e mais alinhadas com o que de fato desejamos.